Governo do Estado mantém assistência a mais de 11 mil pessoas atingidas pelas chuvas em Roraima

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Boletim desta terça, 16, aponta 71 pontos críticos em 12 municípios e cerca de 38 mil atingidos; rios apresentam leve recuo, mas Estado segue sob aviso de chuvas intensas

Roraima – A operação Apoio Imediato já assistiu cerca de 11 mil pessoas e contabiliza aproximadamente 38.131 atingidas, direta ou indiretamente, em comunidades urbanas, rurais e indígenas. As ocorrências mais graves se concentram em Bonfim, Uiramutã e Pacaraima, onde há comunidades isoladas por pontes destruídas e estradas alagadas. Contudo, o governo de Roraima mantém equipes mobilizadas nos 12 municípios atingidos pelas chuvas.

O boletim situacional desta terça-feira, 16, registra estabilizados 71 pontos críticos ativos, com 12 bloqueios totais e nove bloqueios parciais em vias de acesso, causados por destruição de pontes, rompimento de bueiros e trechos submersos.

Nos próximos dias, o governo deverá solucionar de maneira emergencial, situações de acesso e logística mais críticas. E com o recuo do período chuvoso, a Secretaria de Infraestrutura (Seinf) intervirá para melhorar as condições de trafegabilidade. Desse modo, para garantir mais segurança aos usuários com a recuperação de pontes e trechos comprometidos.

Coordenada pelo Gabinete Integrado de Atuação Preventiva e Gestão de Desastres Naturais, a iniciativa reúne o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), a Defesa Civil Estadual e secretarias estaduais. O subcomandante-geral do CBMRR, coronel Doriedson Ribeiro, situou o início dos trabalhos.

“Estamos operando desde o dia 28 de maio em decorrência da situação de emergência que alguns municípios começaram a decretar”, afirmou.

Comunidades isoladas e acesso aéreo

De acordo com o governo, em Uiramutã, parte das comunidades permanece sem acesso terrestre, e o atendimento depende de aeronaves cedidas, como o helicóptero do Estado, por exemplo, que está realizando resgates, assim como remoções nos municípios mais atingidos.

“Temos populações isoladas, e o Corpo de Bombeiros, com a Defesa Civil, atua no transbordo dessa população. Existe isolamento total em algumas áreas, principalmente na região de Uiramutã, onde ainda não temos acesso por via terrestre. Esses acessos são feitos por via aérea, principalmente por helicópteros cedidos pelo governo do Estado”, explicou Ribeiro.

Por outro lado, em Bonfim, a destruição da ponte na Vicinal Jacamim isolou cinco comunidades do Polo Base Jacamim. Em Pacaraima, na região do Médio São Marcos, nove comunidades seguem sem acesso terrestre desde a queima de uma ponte em março. Situação que atinge cerca de mil pessoas, conforme o boletim.

O subcomandante associou ainda o risco sanitário às inundações. “Em alguns lugares, essa água de consumo da população foi misturada em locais onde havia fossas [sépticas], e isso pode acarretar grandes riscos à saúde da população”, disse.

Emergência e reconhecimento federal

Onze dos 15 municípios de Roraima decretaram situação de emergência: Alto Alegre, Amajari, Bonfim, Caracaraí, Caroebe, Iracema, Mucajaí, Normandia, Rorainópolis, São Luiz do Anauá e Uiramutã. Desses, cinco já tiveram o reconhecimento federal: Bonfim, Uiramutã, São Luiz do Anauá, Alto Alegre e Mucajaí.

A operação foi instituída pelo Decreto Estadual nº 40.800-E, de 28 de maio, assinado pelo governador Soldado Sampaio.

Balanço assistencial

Desde o início da operação, foram entregues 2.129 cestas básicas e 213 filtros ecológicos, além do transporte de 1.696 pessoas em áreas isoladas por meio de operações de baldeação.

Para esta terça, estão previstas novas entregas: cerca de 750 cestas básicas em Iracema, 138 em Caracaraí e 149 na continuidade das ações em Normandia. A Caer disponibilizou 200 fardos de água potável para distribuição nas comunidades atingidas.

Ribeiro disse que os pontos de dano viário foram repassados à Seinf. “Já foram passados inclusive para a Seinf, para que pudessem atuar logo que fosse possível na reconstrução de pontes e de pontos de estrada que foram rompidos, para que possamos buscar a normalidade desse período”, afirmou.

Rios em recuo e prognóstico de chuva

O nível do rio Branco na altura de Boa Vista está em 5,88 metros, abaixo da máxima histórica do mês (10,28 metros) e em leve queda nos últimos 12 dias. Em Caracaraí, o rio se estabiliza em 8,11 metros.

O rio Cotingo, em Uiramutã, marca 2,98 metros, em declive, mas acima da média mensal.

O Estado permanece sob aviso do Inmet para chuvas intensas, com grau de perigo potencial e vigência até esta terça. A previsão é de chuva de 20 a 30 milímetros por hora, com ventos de 40 a 60 km/h.

O prognóstico trimestral do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) foi atualizado. Dessa forma, passou a cobrir o período de junho a agosto, com indicação de chuvas dentro das normais climatológicas no centro-norte de Roraima. Ou seja, mudança associada à transição para o fenômeno El Niño e incorporada ao boletim climatológico desta terça, 16.

O gerente de Proteção e Defesa Civil do Estado, major Rodrigo Maciel, explicou a alteração.

“O anterior era um prognóstico de maio, junho e julho, e agora é de junho, julho e agosto. Teve essa mudança com o aquecimento, indicando as chuvas dentro das normais climatológicas”, afirmou.

Por fim, Maciel ressaltou que o volume previsto segue expressivo. “Em junho, a normal climatológica na média no centro-norte do estado é de 335 milímetros, uma quantidade significativa de chuvas, e baixa para aproximadamente 300 em julho. Então está dentro do esperado essas chuvas nessas proporções”, disse.

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